Aconselhamento para crianças com AASI ou implante coclear

aconselhamento das famíliasEste estudo tem por objetivo analisar a importância do aconselhamento para crianças com AASI ou implante coclear e seguiu os preceitos do estudo exploratório, por ser uma pesquisa bibliográfica coletada de diversos autores.

Foram encontrados 15 artigos nas bases de dados consultadas, os quais 07 descrevem a pesquisa referente ao aconselhamento dos pais e a perda auditiva dos seus filhos. Utilizaram-se como critério de exclusão para essa pesquisa os artigos com maior enfoque para habilitação e reabilitação auditiva em pacientes implantados e utilizando AASI.

Em 2000, Motti desenvolveu um trabalho identificando a deficiência auditiva em crianças menores de 7 anos e verificou a opinião dos profissionais para os pais e para o diagnóstico e indicação de AASI. Foram entrevistados 50 pais durante o diagnóstico em 3 momentos. No último contato, eles foram analisados como retinham essas informações recebidas. O resultado da pesquisa mostrou que as orientações adequadas são importantes no nível sócio-econômico-cultural no qual estão inseridos e que os profissionais envolvidos devem se ater não só na condição auditiva da criança e, sim, na situação familiar, nos aspectos culturais da família, nos recursos, com isso reforçando a orientação quanto aos recursos que podem utilizar para acompanhamento desta criança.

Em 2001, Sena e Deltos publicaram um estudo com 94 instituições que prestam atendimento educacional e/ou terapêutico ao surdo no Brasil, onde abordaram procedimentos de orientações à família de crianças surdas atendidas pela instituição. Foi utilizado um questionário padronizado de perguntas abertas e fechadas. Foram concluídas pelas autoras que o trabalho de orientação familiar tem sido colocado em prática em todas as instituições estudadas, se tornando imprescindível ao trabalho educacional e/ou terapêutico da criança surda.

Boscolo e Santos (2005) publicaram no Distúrbio da Comunicação um estudo para investigar os sentimentos, as reações dos pais referentes à deficiência auditiva. Foram convidados 19 pais para ser entrevistados. O instrumento utilizado na coleta de dados foi um questionário padronizado, constituído de perguntas abertas. As autoras verificaram que as famílias, ao receberem o diagnóstico, reagem de forma parecida, porém as expectativas em relação à deficiência são diferentes. Os resultados obtidos em relação ao diagnóstico foram, praticamente, ambivalência de sentimentos. Quanto a relação do uso do AASI, encontraram informações sobre frustação, criação de expectativa falsa e ainda reforçam que os fonoaudíólogos devem saber escutar, dando um acolhimento adequado.

Em 2008, Yucel, Derim e Celik desenvolveram um trabalho para verificar a necessidade de informações e orientações de suporte aos pais, de crianças deficientes auditivas, no processo de habilitação. Participaram 65 pais de crianças que perderam a audição ou que já nasceram surdas. Foram distribuídos questionários por e-mail para responderem. Os resultados deste estudo demonstram uma necessidade na parte dos pais de crianças deficientes auditivas de apoio psicossocial. Eles relatam a necessidade de buscar um estudo mais amplo sobre apoio social e de reabilitação para audição de crianças com deficiência e suas famílias e também destacam a necessidade da participação ativa multiprofissional.

Em 2011, Melo e Menezes, em seu estudo, verificou a importância no processo de intervenção precoce da perda auditiva, contribuindo assim para melhoria da qualidade de vida da família e deficientes auditivos. Participaram 4 famílias na pesquisa, relatando as dificuldades enfrentadas imediatamente após o diagnóstico da surdez e as dificuldades enfrentadas no dia de hoje. Os resultados mostram que, em todas as famílias, a falta de orientação pode acarretar atraso no desenvolvimento global da criança, incluindo aspectos linguísticos, sociais, emocionais e educacionais. Com base nas informações coletadas, o estudo mostra também que orientação com acompanhamento adequado pode promover mudanças que melhoram a qualidade de vida dessas famílias.

Em 2011, Oliveira em sua pesquisa avaliou o impacto sofrido pelos pais no momento em que recebem o diagnóstico de perda auditiva de seus filhos. Na pesquisa foram entrevistadas 15 mães a partir de um questionário com perguntas fechadas. Os relatos mostraram a importância das relações de confiança entre profissionais, pais e filhos. Os profissionais envolvidos podem lidar melhor com a família ao conhecer seus sentimentos, reações e, desta forma, encorajando-os para superar a dificuldades ante à deficiência de seu filho.

Silva et.al 2012, publicaram na Revista Paulista de Pediatria um estudo para investigar a vivencia da mãe da suspeita, ao diagnóstico da surdez e  encaminhamento para habilitação, e a forma como foi dado e explicado o diagnóstico. Foram feitas entrevistadas semi-estruturadas com 10 mães. Os resultados mostraram que há dificuldade de “escuta” dos profissionais de saúde em relação às dúvidas, queixas e questionamentos das mães. Durante a pesquisa, também perceberam que esses profissionais não faziam o encaminhamento para locais que trabalham na área da surdez de forma correta . Relatam ainda que, no momento do diagnóstico, o profissional deve levar em consideração as condições sociais, culturais e emocionais das mães.

Motti, 2000; Silva et.al (2012); em sua pesquisa alerta sobre a questão da necessidade de reforçar a orientação para esses pais e um maior investimento neles. Dizem ainda a importância da qualificação e atenção dos profissionais.

A assertiva de Sena e Deitos (2011) discorre com o achado anterior, pois concluíram que a orientação familiar tem sido valorizada e colocada em prática em todas as instituições estudadas, sendo considerado um elemento imprescindível ao trabalho educacional e/ou terapêutico da criança surda.

Os autores Boscolo e Santos (2005); Yucel, Derim e Celik (2008); Oliveira (2011); Melo e Menezes (2011) concordam entre si que os profissionais precisam ser capacitados, ter a sensibilidade para respeitar os sentimentos dos pais, ter calma e confiança para passar informações gradativas. Há, ainda, a necessidade de um trabalho multiprofissional para ilustrar a importância da participação dos pais. O perfil socioeconômico familiar esboçado também é um agravante à saúde auditiva da criança surda, e os profissionais devem levar em consideração.

Com isso, é fundamental que o profissional ofereça apoio à família, planejando seu tempo, seus recursos financeiros e suas ações frente à criança, acolhendo-o e oferendo um trabalho parceiro (Melo, 2012). Para trabalhar com as famílias, é importante saber como cada uma se constitui, seu conhecimento sobre a surdez e decorrentes consequências, suas crenças e sua cultura. Desse modo, pode-se orientar os pais sobre a melhor conduta com relação ao filho surdo, fato que possibilitará ajudá-lo a se desenvolver da melhor forma possível.

Conclusão

A deficiência auditiva traz muitas limitações para o desenvolvimento do indivíduo. Considerando que a audição é essencial para a aquisição da linguagem falada, sua deficiência influi no relacionamento da mãe com o filho e cria lacunas nos processos psicológicos de integração de experiências, afetando o equilíbrio e a capacidade normal de desenvolvimento da pessoa.

A ruptura na comunicação ou a quebra de vínculos, se persistirem por muito tempo, pode afetar seriamente o desenvolvimento emocional e as habilidades linguísticas e comunicativas da criança surda. Por isso, cabe ressaltar que, em geral, os profissionais devem orientar de forma efetiva esses pais.

Faz-se necessário um aprofundamento no conhecimento desses profissionais na área de aconselhamento e acolhimento das famílias, auxiliando-as de forma correta em relação à deficiência dos seus filhos.

Claudia Mello é fonoaudióloga, com especialização em Audiologia e em Fonoaudiologia Hospitalar (Esamaz-PA). Tem especializacao em Habilitação e Reabilitação auditiva em crianças (FOB/USP ) e é fonoaudióloga no Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS).

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Juliana Tavares

Juliana Tavares é jornalista, empreendedora, editora de conteúdo e diretora de atendimento da j2 Comunicação. É, ainda, colaboradora da Eaxdesign, em portais de negócios, comportamento, inclusão social e turismo.

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